sábado, 6 de setembro de 2008

280km de amor

Assim como nem todo ditado popular é tolo, nem todo clichê é barato. Eu já ouvi várias e várias vezes - e eu mesmo já devo ter feito uso - que "quem inventou a distância, não conhecia a dor da saudade". Para além de um clichê meio melodramático, essa é uma grande verdade. Aliás, nem sei se é grande. Apenas sei que é uma verdade bem particular.

Eu conheci o amor meio bêbado, meio sujo e meio com sono. Era uma madrugada/manhã de domingo, no hospital da UNIMED. O amor era lindo - e ainda é, cada dia mais - loiro e vibrante. E nessa mesma manhã, o amor me deu a primeira lição: a meiguice não é antônimo da força. O amor me encontrou envergonhado, mas soube lutar por mim. E essa foi a segunda lição: aprender a lutar pelo amor. O dramático da história é que o amor morava longe. E ainda mora. Bem longe. Duzentos e oitenta quilômetros longe.

Nesses três anos, quatro meses e alguns dias, a luta pelo amor já me fez chorar, já me sofrer, já me fez sorrir, já me fez cantar, já me fez sonhar. O amor me fez crescer, me deu equilíbrio, me fez ver que nem tudo são flores e que ele, sozinho, não basta. Realmente, é preciso ir para além do amor.

Mas sempre chega um chato e pergunta: "Nossa, como você consegue? Essa distância é tão grande...". E nessas horas, eu sempre penso se escolheria essa distância para mim, se pudesse. E evidentemente, concluo que não escolheria. Mas, no fim, sempre acabo achando tudo ainda mais belo, porque foi amor quem me escolheu e não o contrário. Literalmente. E pode ser assustador ter essa consciência (e seria melhor não tê-la): de que não controlamos a nossa própria vida.

E o que respondo? A verdade, oras. Se é preciso ir para além do amor, é preciso, antes, ter muito amor. Quanto amor? No meu caso, duzentos e oitenta quilômetros de amor.

2 comentários:

LuAdria disse...

A minha conta de amor vai pra muito mais que 280Km, mas não falamos em números maiores porque se com 280 já dói tanto, não quero nem imaginar algo diferente. A não ser que seja para diminuir (a distância, claro!). Espero que seja para logo.

Débora disse...

Ooooooohhhhhh como o amor é belo, não é meu caro amigo?! Não deixe nada e muito menos a sua paliatividade acabar com isso!
SEJAM FELIZES!!!!