quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um pouco do blogueiro

Hoje, conversando com minha boa amiga e mentora intelectual Carla Louise, eu dizia que gostaria de tratar - eventualmente - de coisas mais amenas no blog. Como sou um cara meio monotemático, decidi - pra começar - não inventar muito e falar um pouco de mim. É um pouco estranho expor o que penso para o mundo inteiro, assumindo o risco de, muitas vezes, quem estar lendo não saber quase nada sobre mim.

O problema é que também corre-se o risco (bem maior que o anterior) de que ninguém esteja muito interessado nem sobre o que escrevo, nem sobre quem sou. Então pra não me perder mais e mais palavras e linhas provavelmente chatas e um tanto egocêntricas, lembrei-me de um vídeo do excelente Oswaldo Montenegro, cujo som aprendi a curtir por influência do meu grande amigo-irmão André Cavalcanti, o popular Delzinho.

Oswaldo é gênio. Eu não. Oswaldo é artista. Eu não. Mas tirando esses (pequenos) detalhes, identifiquei-me muito com a letra da canção e com a explicação que a antecede. Montenegro explica que é um cara meio ranzinza, meio chato e resolveu fazer uma música alegre, somente com coisas que ele gosta. Não quero parecer presunçoso, mas não é que a letra descreve um montão de coisas que eu também gosto? Temos gostos parecidos, nós dois. E o mesmo desejo de parecermos mais tranquilos e de boa do que realmente somos. Então, para falar de coisas alegres e um pouquinho de mim, deixo vocês com essa ótima canção:




Letra (composta pelo próprio Oswaldo):

Eu gosto de andar pela rua
bater papo, de lua e de amigo engraçado
Eu gosto do estilo do Zorro
o visual lá do morro e de abraço apertado
Eu gosto mais de bicho com asa
mais de ficar em casa e mais de tênis usado
Eu gosto do volume, do perfume
do ciúme, do desvelo e do cabelo enrolado
Eu gosto de artistas diversos
de crianças de berço e do som do atchim
Eu gosto de trem fora do trilho
de andar com meu filho e da cor do marfim
Tem gente, muita gente que eu gosto
que eu quase aposto que não gosta de mim
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de artista circense
de artista que pense e de artista voraz
Eu gosto de olhar pra frente
de amar pra sempre o que fica pra trás
Eu gosto de quem sempre acredita
a violência é maldita e já foi longe demais
Eu gosto do repique do atabaque
do alambique badulaque do cachimbo da paz
Eu gosto de inventar melodia
da palavra poesia e de palavra com til
Eu gosto é de beijo na boca
de cantora bem rouca e de morar no Brasil
Eu gosto assim do canto do povo
e de tudo que é novo e do que a gente já viu
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de atores que choram ali por nós
e namoram ali por nós na TV
Eu gosto assim de quem é eterno
de quem é moderno e de quem não quer ser
Eu gosto de varar madrugada
de quem conta piada e não consegue entender
Eu gosto da risada gargalhada
da beleza recriada pra que eu possa rever
Eu gosto de quem quer dar ajuda
e acredita que muda o que não anda legal
Eu gosto de quem grita no morro
que a alegria é socorro e que miséria é fatal
Eu gosto do começo do avesso
do tropeço do bebum que dança no carnaval
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto é de ver coisa rara
a verdade na cara é do que gosto mais
Eu gosto porque assim vale a pena
a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais
Eu gosto é que Deus cante em tudo
e que não fique mudo morto em mil catedrais
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar

3 comentários:

Fabrício disse...

Pregoooow musica mara! Um tanto totalmente menos caustica q uma de clima parecido... senhas da calcanhoto.

Fabrício disse...

Ahh sim e até aqui muito pokin de vc! Não dá ainda pra conectar com as suas opinioes... queremos ver sangue!

Carla disse...

À exceção da forma exagerada com a qual você me descreveu, todo o texto está impecável! ;-)
Parabéns, ilustre Lamenha! É sempre revigorante ler o que sua cabeça produz!

beijos!